Estamos prontos para 2021?

Ao longo de 2020, passamos de expectadores de um filme de terror/suspense a personagens de um drama. Sem ao menos nos dar conta, nossas vidas foram alteradas em seu núcleo, para nunca mais esquecermos. Muitos de nós, infelizmente, padeceram sem entender exatamente contra o que estavam lutando.

Em 2020, o que conhecemos como vida profissional também mudou drasticamente. Em menos de um ano, a corrida por escritórios maiores, mais descolados e cheios de alternativas de entretenimento e convivência entre colaboradores terminou antes da bandeira quadriculada.

Pessoas no mundo todo passaram a trabalhar remotamente, de suas casas, de maneira improvisada. Estudos apontam que, média, 56% da força de trabalho é passível de ser executada remotamente, mas menos de 15% o faziam antes da pandemia da COVID-19. Hoje, este número pode estar na casa dos 30%. Muitas empresas, como Atlassian e Facebook, anunciaram que parte de seus colaboradores poderão trabalhar remotamente de maneira permanente – enquanto outras como a Microsoft, é mais cautelosa em dizer que o trabalho remoto pode mascarar deficiências de produtividade. O fato é que este cenário até há pouco inimaginável, hoje é uma realidade dura e muito complexa para lidar.

Nós seres humanos somos realmente muito especiais. Nos adaptamos e buscamos motivação onde os desafios mais difíceis se encontram. De crianças do ensino infantil a desenvolvedores de software, todos encontraram algum tipo de tecnologia que os colocasse de volta ao rumo, mesmo que fora dos trilhos.

Contudo, uma míriade de soluções em plataformas ou aplicativos ganhou a cena. Elas protagonizaram uma verdadeira revolução digital jamais vista. Teams, Trello, Zoom, Jira, Google Classroom, entre tantos outros tiveram um papel fundamental em 2020 para manter negócios funcionando.

Entretanto, o uso de redes domésticas sem proteção e um número crescente de pessoas buscando apoio em plataformas, soluções e aplicativos que não estavam prontos para escalar do ponto de vista de segurança e compliance, trouxe à tona um problema muito maior. Este comportamento foi o maior pesadelo de CIOs e CSOs desde que iniciamos o isolamento social.

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O chamado “shadow IT“, onde soluções de tecnologia são adotadas por profissionais de áreas não técnicas sem o devido controle e supervisão de seus departamentos de TI, se tornou o centro de um debate massivo sobre segurança de dados e proteção de capital digital.

Ataques de ransomwares (ameças virtuais que criptografam dados e pedem resgates geralemente em criptomoedas pela devolução do acesso aos dados) aumentaram significativamente em 2020. Houve aumento de cerca de 72% em ataques deste tipo nos primeiros 6 meses de 2020 no Brasil, segundo uma das maiores empresas de anti-virus do mundo.

Como resposta, empresas do mundo todo abraçaram o “Zero Trust”, conceito idealizado há mais de 10 anos pela Forrester, que prega que qualquer pessoa ou sistema não é confiável por padrão. Um relatório encabeçado pela CyberSecurity Insiders e a Pulse Security, realizado com apoio de centenas de profissionais de segurança da informação, aponta que 72% das empresas pesquisadas planejava adotar as praticas do “Zero Trust” ainda em 2020, principalmente, puxadas pelos impactos da pandemia.

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Enquanto a luta do mundo todo por vacinas está em plena ascenção, o déficit de infraestrutura e logística, somado à fragilidade das economias de países da América Latina nos impõe um fardo pesado e duro. Brasil e seus vizinhos lutam por estoques de insumos enquanto assistimos uma teia de complexas variáveis se formando e nos dizendo que, tão breve, não teremos nossas vidas de volta ao que conhecíamos. Ao menos não será tão fácil como gostaríamos que fosse. Nos próximos 6 meses ou mais, nossa luta por manter a vida a caminhar para frente e o progresso da humanidade em contínua expansão será nada diferente do que tem sido nos últimos 12 meses.

CIOs e CSOs devem continuar protagonizando e liderando as estratégias de continuidade de negócios sem baixar a guarda. Levar soluções inteligentes e disruptivas a áreas de baixíssimo grau de digitalização e com carência de infraestrutura, bem como proteger os dados e fechar as portas de ameaças de segurança devem continuar a ser as prioridades em 2021.

É muito importante que estejamos firmes e determinados a manter nossa motivação, seja no seio de nossas famílias, seja em levar para as nossas empresas as respostas e o suporte necessário para que possamos passar por este período. Mais do que isso, precisamos evoluir, mudar, aprender muito mais rápido e nos preparar melhor para o futuro.

Escrito por Renato Censi, Co-Founder da Loonar.

Fontes:

https://www.pulsesecure.net/resource/2020zero-trust-report/

https://www.gartner.com/en/newsroom/press-releases/2020-07-14-gartner-survey-reveals-82-percent-of-company-leaders-plan-to-allow-employees-to-work-remotely-some-of-the-time#:~:text=July 14%2C 2020-,Gartner Survey Reveals 82% of Company Leaders Plan to Allow,Remotely Some of the Time

https://globalworkplaceanalytics.com/work-at-home-after-covid-19-our-forecast

https://www2.deloitte.com/ch/en/pages/human-capital/articles/how-covid-19-contributes-to-a-long-term-boost-in-remote-working.html

https://www.helpnetsecurity.com/2020/12/29/need-for-zero-trust-security/

https://www.infosecurity-magazine.com/news/shadow-it-covid19-home-working/

https://contentandcloud.com/cybercrime-covid-era/

https://www.cnet.com/news/quibi-twitter-hack-and-misinformation-the-biggest-tech-fails-of-2020/

https://www.gatesnotes.com/podcast/what-will-the-world-look-like-after-covid-19